sexta-feira, 27 de setembro de 2013

EU E MEU VIOLÃO

Neste dias, tenho passado

Com as mãos apalpando

Um violão cansado

De tanto ficar berrando

Ruídos, de meus dedos

Desajeitados em seu concerto.


Não sou um anjo de harpas

Sou um ladrão de cordas

Que de tão minuciosas

Se tornaram desafinadas

Pelos sons que roubei, matei

A cada nota que toquei.

(Leandro Monteiro)

 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

DIVAGAÇÕES METAFÍSICAS ONTOLÓGICAS

Viver:
Ser matéria num instante
Existir:
Ser como pedra sobre
Ondas pensantes?

Não sou,
Ninguém é:
Beleza são os olhos;
Se não vejo
Só o bom eu quero...
(Mas quase todos veem).

Impressões,
Formam o que estou;
Construo-me como uma estátua,
Que se enseja resistência,
A manter-se intacta,
Mudando-me somente de cor.

Sou um corpo
A flutuar pelo tempo...
Sou mais que o próprio,
Enquanto vivo no momento;
Serei lembrança pior que o pó...
Cujo rastro só estará atrás
Da massa cinzenta
Que governa este céu de esquecimento.

(Leandro Monteiro)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

COSMOLOGIA MUNDANA


A Augusto do Anjos

Sinto-me livre
Por isso digo sim
Por isso sou assim:
Sincrético
Sincrônico
Simétrico
Simbiótico contigo
Em minhas diversas formas.

"Sou a mão que afaga
E a mão que apedreja"
Sou ser de paradoxos
Que considero necessários
Para ser o meu melhor ser.

Sinto-me livre
Por isso digo sim
Por isso sou assim:
Sincero
Simpático
Sinônimo
Empático contigo
Em minhas diversas faces.

"Sou a boca que beija"
 E os lábios que mordem
Sou um ser contraditório
Que considero essência
Mostrar o que sou de fato.

Enfim, sou:
Complexo,
Efêmero,
Desejo
Eterno...

Enfim, sou:
Ser constante
Caosmótico,
Homem pó
Andante.

(Leandro Monteiro)

domingo, 1 de setembro de 2013

O CONCERTO


Partitura partida
Separa as fusas
E parafusas
Os compassos
Separados...

E a música se constrói
Ou se repara
Em um conserto
Com muitos instrumentos...

E a música se compõe
Ou se arranja,
Em um concerto,
Com muitos instrumentos,

As claves usadas
Fá, sol agora
E a canção toca
As sete notas
e tons sincrônicos.

Da alma que canta
Aquilo que sente
O que lha apraz
O que lha dói
Aos alheios ouvidos
Que aos sons se dispõe.

(Leandro Monteiro)